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Tuesday, February 10, 2004

¿Qué hace falta para que nos escuchéis? 



Tenho estado calmo mas a verdade é que tenho milhares de coisas para fazer – até tenho a grande novidade de ter conseguido um emprego, em part-time, mas um emprego, uau! – por isso tenho escrito pouco por aqui mas por outro lado tenho fervilhado de coisas para fazer…
Mas hoje trago aqui um texto sobre a violência doméstica que recebi à alguns dias numa das listas que recebo…

Talvez seja uma forma de responder à igreja católica do estado espanhol e as suas posições sobre a violência, a liberdade sexual e o malfadado e eterno “lobby gay” (?!) (veja-se o Público de sábado dia 7/2/04)


Quizás hace falta que estemos asesinadas y que ya no se nos escuche nuestra voz, sino nuestra huella de muerte . .

Quizás hace falta que supliquemos con el ojo morado o con un brazo roto, vuestra ayuda, la ayuda de una sociedad que juega a ser reivindicativa . . .

Quizás hace falta que nuestros hijos /as, niños del maltrato y maltratados, se queden huérfanos para que sean oídos . . .

Quizás hace falta que seamos noticias en un medio de comunicación, que salgamos en pantalla con un disfraz de golpes y de moratones, donde con la voz entrecortada por el miedo a seguir viviendo sin que te dejen que vivas cuentes una y mil veces toda una película de terror; la película de tu propia vida . . .

Quizás hace falta que mi madre, mi hermano, mi hijo . . . mi familia, llore delante de vosotros por perder a una hija, una hermana o una madre . . .

Quizás hace falta que mi rostro se oculte, mi voz se desfigure y mi identidad se anule para que prestéis más atención a mis palabras . . .

Quizás hace falta que me escuchéis a mí y a todas nosotras que exigimos ser escuchadas, que exigimos que sea oída nuestra voz, nuestras necesidades, nuestros miedos, nuestra propia lucha por vivir en libertad . . . libertad para andar, para hablar, para mirar, para decidir . . . ¡libertad para vivir! . . .

Quizás hace falta que entendáis que estamos aquí: las supervivientes de la violencia de género; que os estamos hablando, gritando, qué es ser víctima. Pero no escucháis . . .
No escucháis porque no estáis acostumbrados a que nosotras, las víctimas, hablemos. Estáis acostumbrados a oir nuestros gritos de dolor ante un maltrato o un golpe; estáis acostumbrados a nuestro silencio.

Quizás hace falta que entendáis que ser víctima de la violencia de género no es sólo aquella mujer que muere, recibe golpes o huye a una casa de acogida. Que ser víctima también es no tener una vivienda, no tener empleo, no tener medios económicos, no tener capacidad para decidir, no tener ayudas y amparos sociales . . . es no tener NADA.

Quizás hace falta que me ponga delante tuya, mire a tus ojos y te hable . . .


Gracias por escucharme.

"Esperanza": Presidenta de la Asociación de Mujeres Víctimas de la Violencia de Género "MIRIADAS"



Nuestras más sinceras condolencias a los familiares de las mujeres asesinadas, os acompañamos y sentimos vuestro dolor . . . 1 minuto de aplausos y no de silencios (bastante tiempo hemos tenido que estar calladas) para todas estas mujeres que con sus muertes nos recuerdan a nosotras, las víctimas,que no debemos estar en silencio: el silencio estimula al verdugo.
Abrazos fuertes


Monday, February 02, 2004

as ruas privadas!? 

Uma d@s amig@s (http://www.infotraffic.blogspot.com/) do queermondego (http://www.queermondego.blogspot.com/) escreveu um sentido “post” sobre esta cidade de Coimbra como um círculo pequenino onde todos nos cruzamos e nos vamos conhecendo na vida…
o espaço privado torna-se público e o espaço público entra-nos pela janela adentro de qualquer maneira” … e cada vez mais não sabemos o que somos, onde vamos, o que se vai tornando necessariamente e urgentemente intimo e aquilo que vai saindo para o todo e o sentido das coisas públicas
“uma conversa cruzada.”uma conversa sonhada, querida a dois que se torna fruto de incapacidades e de urgências que temos e desejamos para o outro… num jogo em que se nos esvaziamos de sentido sem sermos capazes de sentir o que cresce e o que nos reforça no sentido da vida

afinal porque… "tudo o que se faz e o que se contém fazer em breves jornadas clandestinas. quais os espaços ocos? recolho-me a estas ruas e alamedas, trago-as inteiras de olhos fechados e penso em como tudo era dantes, em como eram as mais curtas, em como reconhecia as esquinas iluminadas".

tudo se perde, e se ganha no vazio que vamos construindo e sonhando nos espaços desta cidade… junto ao rio…na alta.. na praça… ou no penedo…


Tuesday, January 27, 2004

Histórias de Vida! 

Tenho escrito muito mas tenho pouco tempo o colocar aqui… mas já agora aqui vai um texto por mim na cabra (www.acabra.net) sobre a polémica questão do aborto…



Crime? Pois é, em Portugal, na terrinha dos brandos costumes – a mitologia salazarenta – as mulheres são presas pelo crime de aborto!

E nós como ficamos… que fazemos? Ficamo-nos a estudar pois a época de exames está à porta!

Sempre que a temática do aborto é discutida em Portugal este país enlouquece: a sociedade torna-se dicotómica, entre "defensores do aborto" e "defensores da vida" num registo discursivo que raia a loucura fundamentalista.

Mas quem são este dois mundos e que significam eles para as pessoas que circulam, calmamente, do dia-a-dia da nossa academia.

Ninguém é defensor do aborto!

Será que alguém em sua plena consciência defende o aborto? Não! Ele não é um método contraceptivo mas a maternidade, tal como a paternidade deve ser fruto de um desejo real e consciente da mulher. A escritora Lídia Jorge afirmava em 1998: "Porquê pretender impor o parâmetro do primado da concepção biológica, sobre a concepção sentimental e volitiva da vida? Porquê manter a ideia da escravatura do ciclo do corpo? Porquê a aceitação incondicional e dramática do desencontro do corpo?". Mas a criminalização do aborto em Portugal, que durante muito tempo não foi "levada a sério" pela justiça, parece agora na despertada e o processo de Aveiro, tal como em 2001 o da Maia demonstram que a aplicação da lei atinge as mulheres mais fracas, mais desprotegidas e com maiores dificuldade financeiras que não se podem deslocar aos "estabelecimentos de tratamento de gravidez" de Badajoz ou Salamanca.

Já agora as estatísticas dos países onde o aborto não é crime e é legal demonstram uma diminuição dos abortos clandestinos tal como dos legais. E porquê? Porque estas sociedades investiram fortemente na educação sexual, responsável e aberta, das suas gerações mais novas, e têm sistemas de planeamento familiar e contracepção adequados e funcionais ao contrário do nosso "portugalzito". Por mim apetece relembrar que alguns dos governantes com responsabilidades neste governo defenderam, em 1998, a necessidade do país investir nestas áreas mas o que vemos é a proliferação de um discurso conservador da sexualidade humana a invadir as escolas…

Todos somos defensores da vida!

Ao contrário do que as palavras indiciam os "movimentos pró-vida" deveriam ser chamados de anti-escolha. Porquê? Primeiro porque são contra a escolha da maternidade, feita conscientemente, querida e amada pela mulher… primeira detentora dessa decisão. Segundo porque a defesa, incondicional e igualitária, da vida é uma questão importantes para todos… e não de grupos fundamentalistas que se esquecem, num processo de memória selectiva, da história!

Mas a lei continua a "marcar" as mulheres de criminosas e a "defesa da vida" ganha à "defesa da dignidade da vida"e à "defesa da igualdade". A penalista e constitucionalista Teresa Beleza defende claramente que a actual lei que criminaliza as mulheres por abortarem pode ter laivos de dúbia constitucionalidade, e se dúvidas existissem o projecto de revisão constitucional do PP demonstra a necessidade de acautelar um outra leitura da actual Constituição. Defende Teresa Beleza que se fossem questões como a dignidade da pessoa humana ou a obrigação estadual de promover activamente uma maternidade consciente colocadas na mesa, o Estado ver-se-ia obrigado a terminar com estas leis criminalizadoras. Mas esta professora da Universidade Nova de Lisboa vai mais longe ao afirmar que a "incriminação da interrupção da gravidez é contrária frontalmente ao princípio da igualdade, não só na forma evidente de desequilíbrio entre ricos e pobres, mas de uma maneira mais ínvia e invisível: entre as mulheres que concebem e os homens que participam nessa concepção".

É por isso que defender a vida é cada vez mais defender a dignidade da mesma, a possibilidade de a vida que vem de um gravidez ser desejadas, ser querida, ser amada, e fruto da decisão e da escolha consciente da mulher!

E aqui por Coimbra?

Aqui por Coimbra, e apesar de as histórias de jovens estudantes universitária que abortaram - algumas em clínicas de vão-de-escada, outras em viagens por terras espanholas – serem muitas, e de todos conhecidas, pouco se faz e menos ainda se fala sobre o assunto. Esse silêncio promove antes de tudo o desconhecimento as falsas histórias e o discurso desinformadas que tantas vezes caracteriza a população estudantil de Coimbra.
Por mim, não defendo apenas o fim da criminalização do aborto, mas também a promoção de um verdadeiro serviço de saúde reprodutiva e planeamento familiar em Portugal, bem como a necessidade da de uma educação sexual responsável e aberta nos jovens.


Wednesday, January 14, 2004

cansado, à espera 

tou cansado... tive todo o dia escever... foi um crónica para um jornal local, é um artigo para uma revist brasileira, é um post para o queermondego...
e agora lá vou ter que ir para Coimbra porque hoje a não te prives tem um debate sobre o aborto, com Helena Pinto, Odete Santos, e Sónia Fertuzinhos...
entretanto surgiu um nova associação LGBT, as Panteras Rosa e o Tribunal Constitucional tem agora a possibilidade de considerar inconstitucional o artigo 175 do código penal... a ver vamos!

Tuesday, January 13, 2004

compinchas 

um dos meus compinchas do queer mondego (http://www.queermondego.blogspot.com) queixa-se de que pouco escrevemos!!! talvez tenha razão e talvez seja um tempo de pensar um pouco mais na escrita destes textitos... mas averdade é que hoje com a ida a Aveiro... o julgamento da Aveiro é mais uma farsa do tempo que (dis)corre por terras lusas ... perdi umas bos horas de escritas e estou com tudo atrasado... logo... talvez hoje... ou amanhã aqui volte
mas já agora um comentário: os meus compinchas são uma animação em termos de escrita tendo publicado um "post" com uma cargas metafóricas que me tem posto a pensar! continuem que gosto...

Monday, January 12, 2004

queermondego 

eu e um grupo de amig@s de Coimbra resolvemos criar um blog colectivo para comentar o mundo que nos rodeia... a partir desse olhar queer, torcido... "bicha"
divirtam-se...

http://www.queermondego.blogspot.com

Um grupo de amig@s (d)escreve a partir das margens do Mondego o seu mundo... torcido!

os livros, a escrita e o perdão 

ontem, como habitual, li cerca de duas horas antes de adormecer... e ao terminar o romance "Expiação" de Ian McEwan tropecei numa ideia que tem tem perseguido ao longo do dia de hoje... afinal como se perdoa? afinal que significado tem o perdão ao longo da nossa vida? e como se pensa e se exerce a capacidade de perdoar!!!
Briony, a pesonagem que busca o perdão e a expiação, promove estes através da escrita, ou melhor, da re-escrita, de uma obra que conte a história do "crime" hediondo acontecido naquela noite em 1935... será que a escrita pode ter esse papel de veículo do perdão?
também eu em algum momento "pedi" perdão ou perdoei, com um qualquer escrito ou devaneio diarístico...
no entanto o meu pensamento percorre hoje os sentidos desse perdão... dessa capacidade humana de pensar o erro e o sua exégese... mas será que perdoamos? ou escondemos aquilo que nos fez sofrer?

Saturday, January 10, 2004

um poema  

existe uma ideia muito pré-concebida de que portugal (aderi à moda da caccao!) é um páís de poetas... não sei se o assim é... mas a verdade é que todos nós, de vez em quando, nos pomos a escrever... o versito livre e encantado, cheio de lirismo...
um amigo, o Ed, mandou um poema que partilho convosco... gosto... e lembrei-me de Rilke, um dos meus poetas de eleição - traduzido magistralmente por Paulo Quintela - mas lembrei-me desse Rilke que escreveu aquelas "Cartas a um jovem poeta" e como o Ed fez anos esta semana... aqui fica a intenção de lhe oferecer o livro (não fosse o desemprego seria uma realidade assim, fica o desejo)... e o poema...

“As Árvores falam...”

Algures no céu,
Uma estrela acendeu.
Com a voz do silêncio imaculado,
Entre a química do ego ,
E o sabor de um raio.
Quando ouves o que perguntas?
Pergunto se a estrela olha para mim!
Quando falas o que dizes?
Intelectualismos...
Ouves, falas, e perguntas,
O sabor do cheiro que o mata,
Que te alegra e te entristece
Que te acolhe e te expulsa.
E te masturba o coração com a ponta do dedo.
O Pensamento...
Sensual, como o corpo que escorrega em mim
E as pérolas que rolam e rebolam no meu pescoço,
Falo-te dos astros , falo-te de mim.
O que dizes?
O que te pergunto.
Sombras de dúvidas,
O Onírico...
Como o começo do mundo?
Não, queres saber como falam as árvores?
Como se enraízam os sentimentos?
Na combustão das máquinas...
Começo a pintar as orquídeas que se beijam como amantes etéreos.
Nos crepúsculos da aurora,
Que jaze adormecida no sémen da terra,
Fecunda no óvulo do universo...
Tu..
Eu..
Na floresta onde os djambés são macacos.


Edmundo Santos "Entre os murmurios e as palavras"




recordar ou o manifesto revisitado 

algures no final de 2001 um grupo de pessoas começou a juntar-se num galeria-bar em Coimbra para constituir uma associação que trabalhasse na cidade questões como o sexismo e a homofobia, numa visão inclusiva integradora, multicultural, ou se quiserem pós-moderna do discurso em torno dos direitos humanos...
nascia no início de 2002 essa associação, chamada "não te prives- Grupo de Defesa dos Direitos sexuais"!
hoje acordei a pensar nela... ontem tivemos uma das nossas actividades internas, pouco participada pois a época de exames é uma "noia" na cidade... e lembrei-me então do manifesto que a actriz Helena Faria leu na apresentação pública....


Somos um grupo heterogéneo composto por mulheres e homens muito diferentes entre si. Une-nos a mesma vontade: combater a discriminação baseada na sexualidade e no género.
Somos uma associação de defesa dos direitos humanos como um todo e, como tal, uma associação aberta à colaboração e intervenção em outras áreas em parceria com associações que tenham como área de actuação o combate aos mais diversos tipos de discriminação, nomeadamente o racismo, a xenofobia, a luta contra a pobreza, a exclusão económica e o combate à transmissão do HIV, entre outras.
Somos uma associação aberta às diferentes formas de colaboração com associações congéneres existentes em Portugal, cujos objectivos de trabalho consideremos adequados.
Somos uma associação sediada em Coimbra, com intervenção em toda a região centro.

Não queremos que os jovens continuem a contribuir para o aumento das taxas de maternidade e paternidade adolescentes, por falta de uma educação sexual eficiente e responsável nas escolas.
Não queremos que centenas de mulheres continuem a dar entrada nos hospitais por recorrerem ao aborto clandestino.
Não queremos que tantas lésbicas, gays, bissexuais e transgenders continuem a ser discriminados pelas famílias, colegas, chefes, professores/as, religiosos, governos, instituições...
Não queremos que as mulheres, simplesmente porque o são, enfrentem diariamente, na esfera pública e privada, os mais variados tipos de discriminação, desigualdade e injustiça.

Queremos uma sociedade mais justa, livre, igualitária e fraterna em que o género, orientação sexual ou os comportamentos sexuais não sejam a justificação de tantos sentimentos discriminatórios existentes na sociedade portuguesa, sejam eles o sexismo, a homofobia ou outras formas de exclusão.


Porque os direitos ao corpo, à sexualidade, à igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, independentemente da sua orientação sexual, são direitos humanos...
Porque viver em democracia passa também pela recusa sistemática do silenciamento, da repressão e da desigualdade...
E porque uma sociedade multicultural, diversificada e colorida enriquecer-nos-á a todos/as, enquanto seres humanos...
Somos... não te prives
(naoteprives@yahoo.com)


partilhá-lo neste momento é antes de mais um recordar um sonho que todos os dias se mostra... se movimenta para tornar este mundo em que vivemos um pouco diferente...

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